maisum.

é só mais um: dia, minuto, texto.

Junho 17, 2014

Filed under: Uncategorized — paulamaria @ 12:14 am
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É calada que sigo a voz dos ventos a sussurrar. É calada que passo tardes a fiar, novelos infinitos de reza sem procissão. Fé cega e faca amolada dividem meu coração. Um chá quente pra amolecer os dentes que cravo no crânio. Coberta de panos e medos, sento e escrevo palavras balão. Sem coragem, algumas voam para nunca mais voltar. É calada que encontro comigo mesma e não machuco mais ninguém. A doçura do meu olhar, guardo ao futuro, esperando que venha macio. E de leve. E quente.

16.jun.2014

17:31h

 

Maio 19, 2014

Filed under: Uncategorized — paulamaria @ 8:50 pm
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Curar por sobre as cicatrizes. Às vezes, os cortes não se configuram aparentemente profundos, mas o que parece, certamente não o é. Quando lhe é imposto ao coração sentir, não pode haver outra designação mais digna e exata, ainda que descompassada, a este. Forte como uma verdadeira bomba, e fraco, como se quebra um vidro, um ovo, uma cabeça. Outra, que é forte como um cofre, esconde segredos, envolve mistérios e ainda é caixa para os traiçoeiros olhos. Mas é frágil, frágil, desmancha-se em um nó no pescoço, perde-se por um nonagésimo beijo, confunde-se em si mesma por um doce e antigo deletério. De que valem as piscadas, os carinhos, os mil elogios, as redundâncias, se o que eu vejo, é o mar. O beco? Não, o mar. Ele está ali, e grita. Grita como se fosse acabar. Sozinho, gelado azul. EI! Também estou azul e gelada. Vou me misturar. Ao azul, ao mar, ao céu, ao céu, ao além. [te espero no infinito]. 

2006 ou 2007, 22:18h.

 

Na antropologia do seu caminhar Novembro 6, 2013

Filed under: Uncategorized — paulamaria @ 11:01 am
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Estudar é minha sina
Assim sempre fugi das alegrias tristes
Das decepções pequenas
Dos furtos, das agonias.
Escrever amarra um laço
Aperta as costelas onde prendo o respirar
O cansaço inspira o peito
Diafragma meu dia a dia.
No rastro do seu caminhar
Perco pistas procurando tua sombra
Por mim, largo tudo no escuro
Confio no nada, esperando tudo.
Minha sina também é vagar
Pelos sentimentos, pelo desconhecido

Se te chamo pelo nome e sobrenome
É porque não te tenho como perigo.

(04.10.2013)

 

Juste moi, je délire. Julho 8, 2013

Filed under: Uncategorized — paulamaria @ 4:22 pm
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O que fazemos quando nos fazemos? Para onde estamos caminhando, se há tanto pesar e tanta dúvida? Se repenso as razões que nos unem, tenho medo de cair em desepero… Em deixar cair em desistência. Se penso que estou apaixonada, logo recorro à razão, que me convoca os pés – hesitantes – ao chão. Ao caminhar no dia a dia, não sei se exatamente quero ir. Quero te ver, te ter, te tocar. E isso tudo me assusta. O que fazemos quando nos fazemos? Viver de sonhos não faz sentido. Mas se não for por isso, pelo quê?

 

Esse papo seu já tá de manhã. Junho 6, 2013

Filed under: Uncategorized — paulamaria @ 12:57 am
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São meses a fio esperando. Meses que observo passar pela janela do quarto, olhando as janelas dos prédios vizinhos. Quando vejo, já são cinco da tarde e é hora de colocar a mesa do café. Vivo esperando as pessoas chegarem de suas vidas, mas a minha mesmo, eu não consigo encontrar. O vazio preenche dias a fio, as lágrimas já estão um tanto cansadas e já não caem com a facilidade de outros tempos. Há marcas no meu rosto desistente e não consigo esconder com maquiagem alguma. Sinto um peso no peito. Por vezes, me sufoco ao respirar. Tenho que correr pra algum lugar e tentar abrir o peito por alguns instantes, mas me vejo tão sozinha que dá aquele medo de morrer… puf! Não servi pra nada nesse mundão. Todos os dias me sinto apunhalada por este medo. Uma dor infinda. C’est comme une explosion, c’est un grand sensation de vide dedans, que vient du fond. Mon coeur a disparu, ton ton, ton ton. Quand je pense, que presque me sent mort. La mort est partout, toujours. Dá vontade de fugir, mas pra onde? Aquelas lembranças não existem mais. O recanto de cabelos finos e lábios doces não existe mais, c’etáit une rève, chérie. Tum tum, tum tum. Bate o coração que quase para. Há dias não o vejo, há horas incontáveis não o toco. Se te conheço? Bem, não sei. Me assusto e quero correr. Corro e não chego a lugar algum. Meus pedaços de vida se espalham pela cidade. Quero viver, mas como? O silêncio da casa me invade e me assusta, de novo. Não há ninguém, ninguém pra contar minhas histórias e meu desespero. Não há quem pare, não há quem acalente. Essa história de ser adulto é um tanto de merda. Espero, da janela, os acontecimentos da vida de outréns. Da janela do quarto, das janelas do computador. Você é uma promessa que nunca me prometeu nada. De uma esperança vive este amor. De que? Não sei. Somos pessoas boas, assim espero e confio. Já não sei se tanto, porém. Espero e confio. O corpo definha um tanto e perde a tecitura dos músculos e afetos. “Viajo porque preciso, volto porque te amo”, ecoa na cabeça que dói. Será suportável? Não quero suportar mais. Te quero perto, te quero aqui. Viver de sonhos e ilusões bobas, tardes sem fazer nada, comida quentinha na mesa e vento no rosto. Quero conta pra pagar, quero arrumar a casa, quero cheiro, quero quentinho. Aí eu choro. Consegui. Talvez era isso que eu precisava. Até amanhã, tudo começar outra vez.

 

Só pra registrar… Março 4, 2013

Filed under: Uncategorized — paulamaria @ 1:07 pm
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… que ficar sem notícias me deixa com uns duzentos por cento a mais de saudade.

Chutando pra baixo, é claro.

inspira, expira, inspira, expira.

 

I am mine. And also, yours. Novembro 26, 2012

Filed under: Uncategorized — paulamaria @ 8:57 pm
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“Quando não tinha nada, só tinha passado. Buraco, teso. Escuro. Beira. quando tinha passado, nem dor mais aparecia. Possibilidades eram futuras, mas só no papel, não aqui. Quando não tinha nem mais dor, só podia respirar, então, era o que fazia. Tinha eu. Vários você(s). Tinha eu. O novo eu que surgiu meio abandonado… Por isso, fi-lo forte. Coloquei os dois pés em cheio no chão, de forma nunca tentada antes. Fiz por construir corpo, por apropriação. Então, consegui caminhar. Dia após dia, como se cada um durasse um ano. Aproveitei cada passo pra respirar, já que agora eu podia – e conseguia. De repente, você(s) sumiram e eu me vi de cima, conseguindo, tentando, afirmando. Delicadamente. Quando houve delicadeza, houve tempo. O tempo me trouxe paciência, doçura, medo, ansiedade, novidade, carinho, construção. “só pra te avisar: eu vim pra ficar.”