maisum.

é só mais um: dia, minuto, texto.

A alma do cacto. Abril 15, 2015

Filed under: diariamente — paulamaria @ 1:37 am
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2015-04-04 12.28.55

Entre suas redes secas
Inundei-me de emoção
Como era viva aquela arquitetura
trama renda textura cor

Sustenta como carne
O gado e a gente no sertão
bichos
planta

As voltas que a natureza dá
Me peguei pensando.

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Paudurescência e Vivimomo. Agosto 14, 2009

Pra variar, eu chegei cedo na Ufes. Essa coisa de não ter aulas tá me deixando MUITO perdida e órfã. Sinto um vazio péssimo por não ter que ir pra lá em alguns dias e em outros prefirochegar mais cedo e dar uma perambulada, procurar gente e quem sabe, matar saudades. Está sendo bem mais difícil do que eu já tinha dito aqui.Claro que também é uma questão de adaptação, de costume, de ambientação. Não que eu queira mas também é um pouco necessário encarar a mudança de cabeça erguida e de braços abertos. OK, não tãaaaaao abertos assim, mas eu tento, vai.

Vivimomo é a “invenção” que minha irmã fez pra se referir a Viviane Mosé, poeta/filósofa/CAPIXABA. Ontem, como cheguei cedo na Ufes, acabei  por ser capturada por minha amiga Samya e fui participar da Oficina com a Vivimomo. Foi super bacana, não estava lotada, foi aconchegante e o que mais me surpreendeu foi o modo de como a Viviane nos tratou, em pé de igualdade, sabe? Como artistas da palavra MESMO. Com muito respeito e atenção, nos deu dica, nos engrandeceu, nos puxou as orelhas. A “paudurescência” diz de entrar no palco e sentir-se dono daquele lugar, tomar conta mesmo. Mostrar a cara e dizer: ei, vim aqui pra mostar o meu trabalho, é meu, eu tenho orgulho dele e vim com sinceridade mostrá-lo a vocês. Isso se a plateia tiver três ou trezentas pessoas. Temos que encarar o palco e apresentação como questão de vida e morte. Se estamos nervosos é o que de melhor podemos sentir, deixar de ficar nervoso que pode ser um problema, pode matar o que tá de mais lindo e verdadeiro, que é a nossa presença por inteiro ali. A primeira pessoa a ler seu poema – na parte II da oficina, a única parte que participei – fui eu. Foi uma exposição e TANTO da minha pessoa. Uma coisa é postar no blog e dane-se o que cada um vai achar. Encarar e estar com meu corpinho ali naquele “palco” que não tinha nem 1,5mx1,5m foi muito difícil, tirando que fui repetindo mil vezes até sair do jeito que era a real intenção do poema. Tive até que contar a história dele, que ainda não estava digerida, imagina as mãos suando frio, então! Ainda mais eu, que não escrevo versos metrados, nem ponho parágrafos. São sempre vômitos de palavras e assim foram. Segundo ela não tem problema nenhum, eu é que tenho que saber os momentos importantes do poema e dar uma cara pra ele quando recito. E a dica mais sagaz de todas: não engolir palavras, todas elas são importantes, todas devem ser ditas com todas as sílabas. Digo que isso foi o mais difícil, pela falta de costume também, acredito eu.

Após a oficina, ficou marcado que TODOS nós nos apresentaríamos no Sarau que ocorreu no Cemuni da Psicologia. PENSE: ME APRESENTAR, PALCO “DIVIDIDO” COM VIVIANE MOSÉ. O Sarau ocorreu tudo bem, um pouco atrasado, mas deu certo. Fiquei nervosa, mas como era um plus, encarei como uma coisa boa e tentei passar confiança. Dei minhas respiradas, contei meus três segundo no palco e li. Li este daqui na rodada de poemas curtos e o que vou transcrever aqui em baixo porque ainda não publiquei em lugar algum. UI, publiquei, porque sou chique. Um poema inédito procês. Ah sim: teve gravação e tudo! Super chique. Quando eu tiver fotos e vídeo, posto aqui. :)

Retiro o que disse. Parece que no fimdas contas, quando você experimenta alguma algo, este algo nunca sairá de você. Como mercúrio no sangua, saca? Como monóxido de carbono, quando gruda no oxigênio do sangua e te mata asfixiando aos poucos. Já foi! Essa sensação de aperto no coração jamais me engana. Era eu bom começar a ganhar dinheiro com isso. Preciso me embebedar, preciso de anestesia, de maconha, de voar. Preciso tirar, sair, desistir. Arrependi-me até o último fio de cabelo! Acho que essa manis de esperar demais acaba me deixando no ponto de ônibus… E ele nunca passa. Meu coração não mente, jamais. Quando está arritmando, tenho a certeza. Hoje sonherei? Estava sendo enganação? Diversão? Passa tempo, tempopassa. Ainda não dei o troco merecido. Tudo voltou à tona. Exatamente como um vômito. Como se eu tomasse uma sopa de vômito.

 

Última aula de Psicodiagnóstico. Junho 24, 2009

Filed under: arte e mais,mulherzinha,what's inside — paulamaria @ 4:24 am
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Olá pessoas.

Estou em uma semana extremamente conturbada e problemática. Pela primeira vez em 4 anos de curso, sinto abater sobre mim o peso do fim do período, principalmente tratando-se do meu último período com disciplinas obrigatórias. A partir de Agosto é só estágio. Meda. Enfim, hoje foi minha última aula de Psicodiagnóstico, que foi uma matéria esquisita e inquietante. Fiz e disse coisas que não concordo, mas , era tarefa. Não tem coisa que detesto mais do que tarefismo (ok, tem, mas eu PRECISO de exagerar agora). Foram as apresentações dos casos que atendemos, ou seja, uma aula arrastada de chata e cheia de inferências detestáveis por mim. Tudo o que a professora quis achar, achou. Duas suicidas em potencial, uma criança hiperativa (caso do meu grupo) além de pessoas com problemas neurológicos (segundo a meritíssima profa). Enquanto eu esperava desesperada pra ir embora ansiosa para apresentar, deu um estalo de um texto de ficção. De um homem pra uma mulher. Acho que talvez uma das histórias dos casos lá tenham me inspirado. Pelo menos pra isso, não é mesmo? Aí vai.

Então você olharia nos meus olhos. São verdes, mas te juro: te dizem a verdade. Todo o tempo que dedico-me aos seus seios é verdadeiro. Toda a intensidade com que lhe fodo é verdadeira. Penso com carinho em teu corpo pequeno, que aninhado a mim, fazia-se multidão. Pressão, loucura, tensão, febre, dor. Maneiras que só você consegue ser, só ali naquele encontro conseguia ver, ouvir. Contorcionismos sem circo. Malabarismos de olhos revirantes. Uma explosão que nem. Nem sei! Estou dizendo: é tudo verdade. Não me fantasie de amor perfeito. Sabe que não sou, sabe que passamos longe. Sou dos seus homens, o pior. Pi-or. Mas é tão doce o dulçor de sua boca. E é com paciência que lhe chupo a flor. Mel momentâneo, fel que me mata junto a saudade. Outrora, éramos poesia e de poesia nos alimentamos. Longe um do outro, outro do um. Ardo aqui, tentando te tocar aí. Oceanos e oceanos de mar sem fim. Lágrima salgada que nunca me ocorreu e que sempre imaginei serem suas. Sem culpas, fiz todo o mal que pude. todo o mal que consegui. Sem jamais ter quisto. Vai entender, morena! Vai entender. (nunca te amei para você, mas amei e para mim em segredo). Guardei toda aquela emoção das quase fodas e das lidas. Guardei por explodir e jogar tudo junto às minhas merdas ao vento. Meias palavras, meia boca, meio pinto, meio peito, meio cheiro, meio flor. Abro as janelas e ali você está! Surpresa. Booooooooooom. (Má intencionada, sem saber, sem nos saber, sem querer). Penso mil metros de altura, mas só tenho cinco minutos pra te ter. Resta um grande silêncio, aquele, lembra? Conecta e desconecta a gente, sem ligar pra energia, pro nosso fluxo. Não é fácil, morena minha. Então, não nos olharíamos mais nos olhos. Nem nos espelhos. Nem nas janelas. Nem ao portão. No chão é onde os restos estão. Poética com rima e sem métrica. Nunca te cantei versos, nunca te escrevi notas ao papel. Marquei tudo o que quis no teu corpo, e você no meu. PIOR: na minha cabeça. Não estou triste, não! Ainda nos temos, sei que sim. Lá. E você sabe. Pelo menos, eu sei. Com carinho, seu sempre (e só lá!): F.G.

É isso, meus caros. Já escrevi bem um dia. Hoje escrevo diferente. Escrevo de um mundo diferente que vivi antes. Hoje dói mais fora do que dentro. Mas a paz vai embora em alguns momentos e essa cabeça de vento dá umas brisas boas. Essa foi uma. Hope you all enjoy!

beijos!

 

Falta um tanto ainda eu sei. Dezembro 3, 2008

Filed under: arte e mais — paulamaria @ 12:15 am
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quem tem olhos pra ver o tempo soprando sulcos na pele soprando sulcos na pele soprando sulcos?

o tempo andou riscando meu rosto

com uma navalha fina  

sem raiva nem rancor

o tempo riscou meu rosto

com calma   

(eu parei de lutar contra o tempo

ando exercendo instantes

acho que ganhei presença)   
 

acho que a vida anda passando a mão em mim.

a vida anda passando a mão em mim.

acho que a vida anda passando.

a vida anda passando.

acho que a vida anda.

a vida anda em mim.

acho que há vida em mim.

a vida em mim anda passando.

acho que a vida anda passando a mão em mim     
 

                   e por falar em sexo quem anda me comendo

é o tempo

na verdade faz tempo mas eu escondia

porque ele me pegava à força e por trás   

um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo

se você tem que me comer

que seja com o meu consentimento

e me olhando nos olhos  

acho que ganhei o tempo

de lá pra cá ele tem sido bom comigo

dizem que ando até remoçando  
 

 

[viviane mosé – tempo]