maisum.

é só mais um: dia, minuto, texto.

Eu preciso. Abril 29, 2009

Filed under: diariamente,merda,what's inside — paulamaria @ 1:38 am
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Hoje me dei conta que preciso de um pouco de paz. De tempos em tempos me vejo mais à flor da pele do que sou normalmente. Qualquer coisinha já me faz chorar de raiva, qualquer erro de alguém já me irrita muito e as coisas do mundo com as quais não estou satisfeita (não estarei tão cedo e são MUITAS coisas) me sufocam de um jeito que juro, fico sem ar. Fica aquele nó na garganta, aquele engasgo, aquele pigarro volta à cena. Eu bem que tento dar um jeito, sabe? Ouvindo minhas músicas “violentas” – que amo de paixão – e fuzilando tudo que detesto com o pensamento e olhar. Mas não funciona. Quando tiro os fones do ouvido, o mundo real me dá uma rasteira. Estou tentando ser uma boa menina. Acabei de tirar o Tool da vitrola e coloquei um The Lost Patrol, pop inocente, melosinho e romântico. Mais cedo, quando voltava da Ufes sozinha – nota: num 507 após um dia de correiria – me dei conta do quanto gosto de olhar a cidade lá de cima da ponte, principalmente à noite. Todas aquelas luzinhas lindas, tudo parece mais uniforme e dói menos pensar que ali tão todos iguais aos meus olhos. Passou um rebocador por debaixo de nós, bonito que só. O colorido das luzes nas ondas feitas pelo barco. Dei uma espairecida. Mas ainda assim, alguma coisa incomoda. Perdi um monte de coisa “bonita” que queria escrever. No ônibus eu não teria paz pra isso, e mais,  o sanfonado não me dá estabilidade pra arrumar papel e caneta confortavelmente. Vai ver o tempo passou e além das músicas lights eu também perdi a boa vontade das coisas. Perdi a paciência com as pessoas. Perdi o credo em muitas coisas. Vai ver é só a tpm. Vai ver.

“… que a confusão quem fez fui eu, fui eu.” (Herbert Vianna)

 

Maisum diretamente do transcoletivo. Março 17, 2009

Filed under: diariamente,merda,what's inside — paulamaria @ 11:24 pm
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Pois Zé. Mais um dia de muitos ônibus e muito sol. Acho que eu deveria começar a escrever as crônicas desse dia a dia engraçado e triste de viver. Posteriormente (obrigada, meuamor!)  a minha longa caminhada pela Praia do Canto – uma sequência de fracassos meus, por sinal! – vou caminhando lentamente (leia-se me arrastando) até o ponto de ônibus. Como eu já esperava, a condução chegou bem cheinha de gente suada e cheirosa como eu. Não me culpem pela ironia, é inevitável. Não consegui passar pela roleta, o caminho até lá era atravessado por senhoras, crianças e bundas grandes. Eis que, alguns pontos depois, sobe um passageiro muito curioso. Queria porque queria passar lá pra trás, sendo que para tal façanha, iria machucar e carregar metade das pessoas com ele. Queria que a moça ao meu lado soltasse  de onde estava segurando, isso em plena curva quasenapontecomoônibuscorrendo. A moça, que se soltasse iria cair no motorista, disse que não iria largar seu apoio. O simpaticíssimo senhor me solta uma pérola digna de twitter (hahaha): “mas eu estou no meu direito, está na constituição, direito e ir e vir”. Fiquei na minha a quase gargalhei. É importante dar nota que eu também bateria nele e ainda diria umas coisas que ele não gostaria de levar para casa. A moça fala comigo que nessas horas a constituição serve. Eu digo sorrindo, mas querendo arrebentá-lo que se fosse criança morrendo de fome e fora da escola não é direito não. O motorista, meu camarada  com quem tive conversa agradabilíssima, complementa que “aí é papel do governo”. Adorei essa ironia em conjunto. Esqueci de dizer que o filhodeumainfeliz mentiu ainda por cima. Disse que saltaria logo após a ponte, e não saltou. E ainda ficou nos fitando com cara de vencedor. Nesses momentos eu me reviro e me exalto. Lembro das minhas criancinhas lindas que não tem um povo que vá lhes dar voz. Ninguém que vá levar um investimento pra Cariacica. Ninguém que vá dar nome para aquela cidade esquecida, “por onde tudo passa pela educação”.

Ver: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cariacica

 

Over and over again.

Filed under: diariamente,merda — paulamaria @ 12:05 am
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Ainda acho música violenta a melhor trilha sonora para  se andar de ônibus. A propósito, hoje pela primeira vez o pneu do ônibus furou comigo dentro. A frase ficou estranha mas não sei explicar melhor. Começei a correr na praia,  constatei (como já esperava) que não tenho fôlego. Mas nada que insistência não resolva. Vou dormir, o corpo pede. Não consigo sair daqui e tenho poucos dias pra resolver um bocado de coisas. Não tô falando nada com nada, beijotchau.

 

I need a light. Fevereiro 3, 2009

Filed under: diariamente,what's inside — paulamaria @ 2:18 am
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O título veio com a música que tô ouvindo. O que estou para escrever aqui tem dias não tem muito a ver com a frase. No final do post talvez até tenha. Semana passada, quarta feira. No ônibus indo para a Ufes resolver alguns pepinos, conheci uma amiga. Sempre arranjo amizades no ônibus. E olha que não ando com uma cara muito simpática. Enfim. Eu conversei com uma moça bonita, de saia rodada e blusa verde. Ela chamou minha atenção pela roupa. Fiquei olhando ela passar pela roleta. Na verdade, nem tanto a roupa que chamou atenção. Foi o sapato. Uma sapatilha de plástico transparente, linda. Do jeito que eu gosto. Tipo cinderela. Pode parecer bobo, mas pra mim lembra. Ela percebeu que eu encarei o seu calçado. Sentou do meu lado e puxou conversa. “Você tava olhando a sapatilha, né? Eu não ligo não, todo mundo olha. Bonitinha, né? Quer experimentar?” Não foi tudo exatamente nessa ordem, mas engatamos uma conversa sobre sapatos, preços, lojas do centro, lojas do shopping, amigas, conforto. E sim, eu experimentei. E coube! Mas é claro que depois destrocamos e sorrimos. Logo chegou o ponto da Ufes, tive que descer. Como de praxe, dei “tchau, boa tarde!”, e ela me lançou um “fica com Deus!”, bem doce. Ai meu ateísmo. Mas eu vi que foram bons desejos. Corta pro próximo set de filmagem. No banco, fui resolver o pepino da senha bloqueada. Os bancos nunca dão um jeito de ajudar você. Enfim, tira tudo da bolsa que apitaria na porta roleta, entra no banco, pegatudodenovoeenfianabolsasemarrumar, pega senha e senta pra aproveitar o ar condicionado. Ao lado, logo chega uma meninota de chiquinhas no cabelo, um monte de dente de leite e uma mãe com cara de gringa – vide calça cáqui com havaianas pretas -. Não era gringa, mas havia morado na Alemanha. A menina logo puxa conversa comigo, e não sei porque, algumas crianças simpatizam comigo. Uma fofura, cheia de desinibição, até dançou ballet pra mim na cadeira de espera. Aí é claro, que nessas amizadesde cincominutosdetodososdias, você sempre descobre algo que é chave da vida das pessoas. Sempre. E a dela era de arrebatar. Acabara de perder o marido na volta da Alemanha pro Brasil. Eu fui ao banco desbloquear senha e ela pra ver a situação do recém falecido marido. Ali, naquele calor infernal, naquele Janeiro naquela Ufes, com aquela menina linda e brincalhona, que segundo a mãe, sempre pergunta do pai. Fui chamada. Meu atendimento nem durou 10 minutos. Quando saí, ela tinha sido chamada. Despedi da garotinha. Ouvi a mãe dizendo para o bancário que o marido havia falecido por conta de embolia pulmonar. Enfim, corte pra outro set. Estética Nívea, meu salão de depilação. Peguei carona com minha prima Bruna da Ufes pra Vila Velha. Nada como um ar condicionado e um carro. Ela tinha horário na estética, eu ficaria esperando. Logo, a secretária puxa assunto. Esse era O meu dia de ouvinte. Pergunta meu curso da Ufes e etcéteras a parte. Chegamos ao ponto que ela queria perguntar, sobre o Centro Comunitário de Línguas. Ela queria esperar a filha completar uns 15 anos para começar o inglês. Imagina, tarde demais. Dei as dicas, sutilmente. Falei em números em como ficaria “em conta” fazer inglês lá. Quase ningué mda população sabe. A menina quase fica sem aprender por falta de condições dos pais pagarem. Mas os pais tem, só não tem informação. Apoiei e me coloquei a disposição para ajudar a menina. Não sei o porque, eu tinha que relatar isso aqui. Essas três mulheres me passaram algo de mulheres negras. Era o dia, e foi.