maisum.

é só mais um: dia, minuto, texto.

Presa. Fevereiro 21, 2010

Filed under: merda,mulherzinha,what's inside — paulamaria @ 7:54 pm
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É agonia o que tá apertando aqui. Tem dias que eu simplesmente tenho que deixar acontecer, ou, explodo. Começo a repensar meus planos futuros, pensar se meus pés estão seguindo na direção que deveriam, se eu estou conseguindo enxergar o que é importante e o que não é. Algumas coisas bem importantes mudaram radicalmente de uns meses pra cá. Pra minha sorte, conheci pessoas tão boas, que aquecem tanto meu coração, que me sinto contente só de trocar um sorriso. A maioria delas me diz que sou afoita e que só se dá um passo a cada vez. Minha cabeça é que não acompanha muito esse tipo de raciocínio. Quer sempre tomar as rédeas de um futuro que não chegara, pois só tenho o presente, e só. Há dias tento fazer uma rotina mais religiosa e mais precavida, mas confesso que nesse emaranhado de sentimentos, muitas vezes, só quero gritar. Consegui isso ontem, ufa. Em uma noite esquisita, com várias falas de amigos que mais pareciam quotes de filmes que gosto. Uma coisa meio Woody Allen, meio Wes Anderson. Não sei ainda. Estou presa, stuck, parada. Sufocada, preciso de espaço. Penso em mil formas de desencantar, desatar, desobstruir. Se beber fosse, beberia. Se fumar fosse, fumaria. Se cortar fosse, cortaria. Nenhuma dessas coisas é a tal resposta, eu só sei, não preciso experimentar. Pego um pouco de ar e respiro um pouco por vez. Sonho com dias mais leves e nuvens tão brancas. Todo o peso do mundo está em minhas costas, ainda que a opção tenha sido minha, além de alguma responsabilidade embutida na existência de irmã mais velha. Quem sabe uma tatuagem não resolveria? Ou um corte de cabelo? Este que está por aqui já pesa mais do que a cabeça. Não sei se você entende, entende? Pesada, cortando cabelo, corto uma história, algumas lembranças ruins, fica somente a experiência. Experimentando, despeço-me. Aguente firme, eu chego já.

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Esburrando. Novembro 10, 2009

Filed under: what's inside — paulamaria @ 2:47 am
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Só preciso fazer uma pequena logorréia porque tem tempo que não escrevo e tô perdendo o jeito com as palavras. Me embolo toda na hora de digitar, na hora com canetaepapel e nas entrevistas medíocres de estágio e vendedora de shopping. Cheia de planos ,mas todos eles esvaziados de possibilidades. Minha cabeça pensante pensa demais e me emburrece de maneira paralizante. Parece que todo mundo tá lá na frente, mas eu tô correndo, juro! Só que a minha corrida parece marcha lenta comparada ao ritmo do mundo. Eu que só queria parar e contemplar a paisagem! (!!!) Peguei, tirei as sandálias e encarei o mar. Minha mãe estranhou, que quéssa menina tá falando e por que tá com as canelas cheias de areia? Pois é, mãe, fui lá no mar. Não vou sempre, tenho medo de ser assaltada. Pura bobagem, mas em Itapoã e com meu chamariz de medo, pode ser comum. Com a Maria segunda, tudo é solto e sempre dá certo absoluto em suas cagadas mirabolantes. Eu só sei fazer cocô direitinho, no mesmo horário, intestino regulado. Tava lindo lá no mar, gelado e brabo, ondas mil direções, espumas molhando o jeans roubado. Quis me jogar, não me joguei. Como se fosse ter chance de sentir aquilo de novo, quando estivesse preparada pra me jogar, ou seja: de maiô. O QUE EU FIZ? O QUE? nada. Não durmo várias noites, meus neurônios ficam pegando fogo e não tem água que apague tudo o que eu penso. Aí, ao mesmo tempo, parece que esse “tudoqueeupensoerasuperimportante” e não era. Vai embora como veio, numa mesma enxurrada, só que agora, de vazio. Tô com uma angústia deslavada de rejeição, não suporto rejeição. Não sei lidar. Me pego de canto, com olho emocionado com tudo, tristinha, meio sorriso, evitando gente, evitando contato. Queria ser humilde pra pedir abraço, mas o orgulho parece humilhação. Que doentio! podem dizer. Por mais que pareça, só quem experiencia sabe dessa dor. Não é dor de tristeza, não cabe nessa palavra nem nessa definição. É dor que dói de dentro e pega em alguns musclinhos, no pescoço, no peito de um lado só, nos joelhos, nos pés. Não dá vazão pra lugar algum, parece nunca carecer de terminar. Vejo alguns olhares furtivos, lá vem a louca, lá vem a doidivanas, lá vem a paulamariatomabanhonabaciaenuncasaidelá. Tô realmente perdendo o jeito com as palavras. Já fui capaz de escrever versos lindideus, mas hoje não sei mais. Aí vem a nostalgia do desapego que eu não desapego. Alguns momentos passados de mim mesma que parecem ser tão mais leves e sinceros do que hoje os são. E eram! Mas por que hoje também não é bom? Se eu sei o que mudar, como não mudo? Como não perco o medo e me jogo no desconhecido? Que merda de pé atrás é esse que me finca no chão que não me dá certezas? Não, certezas não! O que leio e me faço de poesia pra vida me diz o contrário disso! Preciso de decisões afirmativas de vida e não de certezas. Spinosa me ensinou tão direitinho e eu fico avacalhando tudo com experiência de cabeça pessimista. Spinosa, aparece pra mim no sonho e puxa minhas orelhas? Prometo tentar ler “Ética” sem achar difícil. Pronto, esburrei.

 

Era para ser um post sobre o riodejanêro. Março 3, 2009

Filed under: what's inside — paulamaria @ 2:42 am
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Mas vai ser o que saiu hoje, no dia que eu pensava que não sabia mais escrever. Vai ver que não sei mesmo.

De repente, do lugar que estou, já não sei mais. Daqui, sinto que não pertenço. Como se esta vista para o mar fosse desde sempre um quadro emoldurado pelas esquadrias da varanda. Por mim, nunca morei aqui. Pelo que sinto agora, estou longe. Quanto pares de sapatos comprei? Só tenho dois pés e ainda prefiro dançar descalça. Para que tantas roupas no armário, se só voo sem estas? Um pouco hipócrita, dos dois lados, dividida e inteira. Se não sou multilateral, acabo por não ser nada. Não ser já é nada, e nada já é algo. Trocadilho e redundância? Será só idiotice? Será a falta de dor? Certezas de felicidade me roubam em instantes beijo. O amor de minha vida entra no carro e vai embora. O mar está ali de novo. Forado esquadro. Dentro de mim? Preciso de um mergulho.