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é só mais um: dia, minuto, texto.

Um medo por vez. Abril 1, 2015

Filed under: diariamente,what's inside — paulamaria @ 4:02 pm
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Acordei com alguns emails na caixa de entrada. Muito mailing de propaganda, sempre. Mas também muitas newsletter de sites que prefiro acompanhar por ali, já que podem aguardar pacientemente a minha leitura, sem se perderem numa timeline que muda totalmente em uma hora, como acontece no facebook ou twitter. O email espera. E preciso um pouco de coisas, pessoas e situações de espera, calma e pausa.

Em um dos links “da espera”, veio um e-mail do The Book of Life, um projeto patrocinado pelo maravilhoso The School of Life. É um livro online, de acesso integral e gratuito, que vai sendo construído aos poucos, tendo sempre novos textos inseridos dentro dos temas pré-estabelecidos, ou, como eles mesmos resumem: “our collected thoughts and theories” (nossa coleção de pensamentos e teorias). Os temas de conteúdo do livro são divididos por capítulos: 1.Capitalismo; 2.Trabalho; 3.Relaciomentos; 4.Self; 5. Cultura; 6.Currículo. Dentro ainda deste capítulo temos subdivisões mais específicas. Enfim, vale uma explorada boa e demorada, uma “folheada” mesmo neste livro rico e gostoso de ler.

No e-mail desta semana, um texto me saltou os olhos: “How to Dare to Begin”. Parecia uma mensagem subliminar, dessas que às vezes chegam da Miranda July pelo meu cadastro no oráculo do The Future. Fiquei um pouco abismada com o tema, meio hipnotizada com a palavra DARE. Me senti convocada, instigada, desafiada. Pelo menos a ler o texto (shame on me).

O texto explica que, em geral, nosso medo de começar está ligado à mania de frustar a perfeição. Não tentamos por ignorar que são necessárias muitas tentativas para alcançar o que desejamos. Vemos um quadro do renascentista Rafael Sanzio e imaginamos que sua “genialidade” se materializava em suas obras por algo quase que divino, por iluminação, por um dom inalcançável. Ignoramos o fato de os rascunhos fazem também parte daquela obra que hoje apreciamos nas paredes do Louvre e uma das dicas para liberar nossas energias produtivas – que nos impedem de nos lançarmos aos desafios  – é ao invés de visitar “a galeria”, visitar “o atelier”.

A dica que mais me tocou, no entanto, foi a última. É uma dica breve, pouco explorada ao longo do texto, mas extremamente inquietante:

Quatro: Investigue as suas preocupações de forma exaustiva
Perfeccionismo dá origem a preocupações. Se eu começar, eu vou cometer um erro e em seguida algo terrível vai acontecer. Dentro da cabeça de um há meio-temores, que percorrem longos caminhos, tais como: se eu não realizar a apresentação exatamente correta, eu posso na realidade nunca ter de fato conseguido realizá-la. Se eu não escrever o relatório ideal, nunca serei sócio.
Leve seus medos de maneira muito a sério, anote-os. Investigue o quanto de verdade existe neles. É de fato verdade que o único caminho possível para se tornar um sócio da empresa é sempre escrever relatórios perfeitos? Você de fato vai ser demitido se a apresentação é apenas muito boa e não brilhante?
Nossas mentes são profundamente irracionais na forma como elas geram medos. Anote suas ladainhas de terror e, em seguida, a submeta a uma análise racional e benigna.

Tenho passado por situações que me deram uma sensação de identificação imediata com esse parágrafo. Há semanas tenho uma aba salva no favoritos para me inscrever em uma vaga de emprego em uma rede social. Nunca trabalhei com nada parecido antes, me sinto incapaz por diversos motivos e todos esses medos me travam de modo que consigo olhar pr’aquela aba por horas sem jamais abrir. Fiz mestrado sobre tecnologia, amo internet, sou bastante conectada e interessada em ler sobre o assunto e produzir conteúdo, tenho vários amigos inseridos neste mercado de trabalho. Mas nada disso me dá a confiança suficiente para acreditar que consigo tentar (!). Veja bem: é o medo de tentar que me segura. E é nele que estou tentando focar neste instante.

A ansiedade tem tomado conta desse corpo fortemente há alguns dias já. O medo de tentar está estagnando até mesmo coisas sutis do dia a dia, atrapalhando meu sono, pesando minha respiração e até mesmo embaçando minha visão (pra valer!). Um medo por vez. Fico repetindo este mantra, pausando a respiração, enchendo bem toda a cavidade toráxica, expandindo meus pulmões e minha bacia. Ainda confusa, ainda acuada, mas repito até conseguir acreditar. Algumas coisas carecem de costume, sabe? Preciso experimentar a estranheza de enfrentar um medo por vez, a estranheza de enfrentar um medo encarando-o de frente mas sem forçar a me tornar outra pessoa da noite pro dia. Pesadamente dar meus passos de calma e aceitação dos limites, tentando aumentar aos pouquinhos a borda, como ao abrir uma massa de torta… Sem despedaçar.

Sigo no dia de hoje, na tentativa de aceitar que eu posso conseguir aquilo que almejo. Talvez eu não consiga, mas eu posso. E que para poder, eu preciso tentar. Anteriormente então, eu preciso quebrar a barreira da tentativa.

E você,me diga: qual é o medo da vez?

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3 Responses to “Um medo por vez.”

  1. Medo da campanha pro Google I/O não funcionar (já funcionou). Medo de perder. Medo de ganhar. Medo, medo, medo. Mesmo assim, com a prática, a gente aprende a fazer COM medo mesmo, sem deixar o bicho paralisar a vida, nossos desejos.
    Tem um desejo? Vista-o! É o melhor conselho que posso te dar, do meio do meu pântano medroso.

  2. Nossa! No momento eu sou só medo. Inteira. Da cabeça aos pés. E o pior é que quando começo a vencer meus medos, resolvo compartilhar com alguem e é sempre um balde de água fria que me traz insegurança. Terrível!
    Até iniciei um blog pra escrever sobre isso e tentar aliviar a mente desses pensamentos.
    Fiquei curiosa… vc tentou a vaga de emprego?

  3. paulamaria Says:

    Acabou que não tentei. Este medo ainda precisa ser vencido… Todo dia me deparo com ele, mas corro e me escondo.
    Uma hora vai!


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