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é só mais um: dia, minuto, texto.

Madruguei. E só consigo acordar. Março 4, 2011

Filed under: merda,what's inside — paulamaria @ 5:02 pm

Porque eu sei que é amor. Então, eu sei que vai doer. Vai latejar, arder, querer urgir, desmembrar-me, deslumbrar-me, me deserdar de mim. Vai fazer com que todo mundo pergunte os porquês e os porquês não. E todos os dias, ao deitar e ao levantar, o pensamento que volta é o mesmo. O mesmo sentido daquele abraço que não virá. Daquele conforto que se foi. Daquela pena que não posso sentir por nós dois. Afinal, amar não basta. Nessa merda de vida sem sentido, a gente vai ter que sim, encarar todas essas coisas de gente normal. Por mais que eu ainda sinta que um casal assim, não pode ser nada menos do que atípico. De pensar que inspirávamos. De pensar que ao inspirar antes era eu, depois ao expirar, éramos nós. Mesmo sabendo que pensar em “nós” era perigoso, eu fui, indo indo indo, nesses profundos que ainda tanto te assustam. Desculpa, eu realmente, de coração, não sei pensar de outros jeitos que não esses. Entendo, juro e garanto que essa complexidade toda não é proposital. Quando eu vi, já tinha me feito assim. Um dos meus inúmeros “eu sou assim”, desses que você também tem tantos. O dia a dia fica insuportável quando a gente não agüenta mais os pesos e medidas que tanta gente ignora… Por isso o tal do amor não basta. Tem que ser forte. E olha, apesar de eu desmoronar muitas e inúmeras e incontáveis vezes, aprendi sim, que ser forte é não desistir. “se viver é resistir, então será”, ficou uma tatuagem. Das muitas, né. O coração que fazia Tum Tum não quer saber de desaprender. E além disso, teima em pelo menos não me deixar esquecer um pouco, só um pouquinho. Como esquecer daquilo que nunca se deixa de lembrar? Eu preciso preciso preciso, quero quero quero. E não sei de nada. Não sou superfície de contato. Faço-me ilha distante pra poder nadar de volta prum cais, qualquer dia. Meus laços estão guardados em caixas de fitas de cetim, daquelas bonitas que cê sabe que eu adoro. Nunca jamais saberia te dizer: o que fizemos de nós dois. Estás em tudo. Em tudo permaneces. Tiro o cabelo, nada. Corro até não respirar, nada. Choro escondido, nada. Nos olhares dos outros, é difícil ver alguma compaixão, um lugar pra repousar. Tinha esquecido como é ficar sem isso. Sem ar, escrevo. Sem vontade, caminho. Sem gosto, como. Sem sono, durmo. A vida que andava engolindo minhas semanas, arrasta meus dias como se precisasse me fazer sofrer e viver todo e cada segundo com vontade de não viver nenhum mais. Se as coisas e a finitude da vida já se apresentavam como angústia e sem solução, agora ainda pior, agora sem cores. Quero gritar. Mas silencio de uma maneira esmagadora em mim mesma. Quero tanto TANTO ouvir sua voz, e ao mesmo tempo, respeito o combinado. A distância fria, o não estar, o não se fazer estar. Os meus carros sempre estiveram à frente dos bois, não é de hoje. Claro, alertada fui, muitas e muitas vezes. De que importa lembrar todos os conselhos depois? Se fossem bons, não davam: vendiam. Sabedoria popular mui corretíssima. Nas dores de um corpo que insiste em estar aqui, as palavras não cabem. TUDO foi pensado. E agora, nada temos em mãos. Dos momentos os quais eu queria conseguir, este deveria ser um. Ainda: se um deus existisse, não haveria descompaixão pelas pessoas que se amam. Já tem tanta falta de amor nesse mundão! Seria um baita desperdício de um deus não investir naqueles que tem sentimentos verdadeiros. Mas evidentemente, não existe deus, nem milagre e nem reza brava que nos tire as intemperanças da vida. Junto a elas é que estaremos agora. Sem ao menos, uma mensagem que roube sorrisos, um carinho de cumplicidade, um abraço no desespero, um olhar no escuro, um beijo nas multidões. Viver sem você vai ser o meu castigo por ser eu mesma. Eu, que sempre via nos filmes inspiração, vivo agora personagens das quais me identifico, mas sempre aquela parte do enredo que quis pular. Com o peito doendo, mãos vazias e boca apertada, te digo que amar foi sim um presente. Dos melhores da vida. E que todos os segundos de verdades que tivemos, estão aqui, guardados no canto do nariz, da boca e nos meus cílios. Volto a ser a estranha que caminha na multidão. Daquela que se mistura até reencontrar a concha, sabe? Que pintou sonhos em nuvens passageiras. Já choveu. Já passou e apagou. Guardo as tintas e pincel. A aquarela se desfaz em lágrimas. Cada pedaço de mim, resta história. Cada tempo de memória, resta um pedaço de coração. Eu, forte fraca, grande na pequenez, lágrimas duras nas palavras, passos curtos e rápidos de gigante, fecho-me aqui e agora. Volto ao mundo do não vale a pena.Pro tentar. Reinventar. E viver. Como der.

 

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One Response to “Madruguei. E só consigo acordar.”

  1. Nayara Tognere Says:

    isso é uma daquelas coisas que você lê e diz “eu podia ter escrito isso”. não teria saído tão bonito mas, é assim mesmo… bonito-triste. gostei daqui.


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