maisum.

é só mais um: dia, minuto, texto.

Chasing pavements. Agosto 5, 2009

Filed under: mulherzinha,what's inside — paulamaria @ 10:11 pm
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Desde ontem essa música do título não sai da minha cabeça. É da Adele, uma moça da idade da minha irmã e que dizem ser uma nova Amy Winehouse. Ao ouvir o cd, até lembra um pouco, mas só pela voz. Ainda acho que a Amy é totalmente única mas a Adele também tem seu lugar na sua identidade musical. O que importa é que a música é demais, linda, a letra maravilhosa e o clipe um bombonzinho. Aviso logo que é de dar uma dor no coração, um incômodo: tira do lugar. Cheguei a conclusão que é exatamente essa a intenção. Incomodar. E depois, apertar o botão do rewind e ouvir de novo, over and over.

Hoje foi meu primeiro dia da volta às aulas. O primeiro dia completamente avesso aos últimos 8 semestres. Não voltei para reencontrar minha turma, não estavam lá todos com quilos a mais – ou a menos – nem com novos cortes de cabelo ou bolsas novas. Não tinha aquele burburinho de fofoca, mesmo que tenhamos passado só um mês sem nos ver – alguns até bem menos do que isso – sempre rendia assunto pra mais de aula. Hoje eu fui pra Ufes encarar meu prédio com pessoas soltas, todas resolvendo suas novas fases do fim do curso: supervisão de estágio, projetos de pesquisa, correndo atrás de professor. Horários muito diferentes e uma sensação de fim que me apertou o coração e de repente quis abraçar o Cemuni  6 todo. (By the way, Cemuni 6 é o nome do prédio onde meu curso funciona na Ufes, mas não somente lá, enfim, conversa longa pra parênteses). Abraçar MESMO. Creio que chorarei litros como oradora da turma, título o qual me proclamei sem ser chamada, e acho que já se acostumaram com a ideia. Não sei se consigo colocar em palavras tudo aquilo que senti durante esses 4 anos e o que tô sentindo daqui um ano pra frente quando termina (?) essa jornada acadêmica. Que desespero. !!! Só penso em voltar algum tempinho atrás, um tempinho só, que desse pra curtir um pouco mais cada amizade, cada papo, cada discussão, cada barraco. Vivi a universidade de uma maneira bacana, e ao mesmo tempo, eu sempre descubro maneiras novas e legais de curtir ainda mais, de viver mesmo aquele espaço, de estar com aquelas pessoas. Confesso que o medo não é só de perder essa rotina – que já perdi, por sinal – é dar aquela encarada na realidade, que vai me trazer à tona que é sozinha que topamos com o mundo, grande e sem porteira. Uma avalanche de gente e sentimento que cai tudo em cima, pros lados, transbordando até te sufocar. E você tem que conseguir nadar pra respirar, e ainda: conseguir fazer com que as outras pessoas respirem também. Ô trem difícil, sô.

Esse primeiro dia, então, foi marcado por uma outra experiência. Resolvi pegar minha segunda disciplina fora do curso. Semestre passado cursei Fotografia I, que foi uma delícia. Dessa vez resolvi partir pras Artes de fato e pegar Desenho I. Eu e minha amiga de sala e do coração Ádila, fomos então até o Cemuni 2 para procurar a sala da tal aula. Eu sempre morro de vergonha quando vou a outras salas em outros prédios, tenho um respeito sepulcral, meio que sinto que não é exatamente meu território, aí sigo com muita cautela. O professor, pelo menos suspeito de ser professor, se aproximou da porta que seria a porta da suspeita sala de aula. Chegamos perto do cara – sim, ufa, é o Luciano – e nos apresentamos, dizendo logo que seríamos ouvintes e se teria problema. Todo simpático, disse que por ele problema nenhum, desde que levássemos a sério. Perguntei logo sobre a Manu e seu interesse, desde que ela é aluna da Faesa e tal, e sem problemas também. Com pouca coragem, adentrei a sala que já não tinha cadeiras para nós e tinha uma presença em especial. Eu toda medrosinha de falar com ela, mas ela toda solícita me deu logo um adeusinho e quebrou o gelo. No fim das contas, sentei-me em frente a ela. As mesas estavam dispostas em forma de U, foi meio inevitável. Nos ignoramos a maior parte do tempo, e na apresentação de praxe da cada um, eu também de praxe fiquei toda nervosa e gaguejei um tanto. Na sua vez, ela falou muito, MAS muito, disparada, maritaca. Não sei se era nervoso ou se é assim mesmo, essa coisa nordestina – que amo! – e que eu nunca tinha ouvido o som. Ela também não, o meu som. Finalmente: foi estranho. Aguardamos o fim da aula e resolvi sair da sala logo, estava me sentindo meio sufocada, um seiláoquê na garganta – que ainda tá, inclusive! A criatura não me saía nunca da sala, nunquinha da silva. Quando saiu, eu só consegui acenar de volta e dizer “oitudobem?”, daqueles ligeiros que quase saem fugidos da boca, sabe? Pulando. Foi assim, bem assim. O primeiro encontro com ela, só com ela. Sem nada colado, nem preconceito, nem preceito, nem nada de ruim. FREE, como eu já tinha dito. Mas escrevendo é fácil. Eu sou bem covardezinha cara a cara, aprendi a ter medo, pode? Pode né, se agora tenho. Tomara que eu perca, consiga a voltar a me perder no que sinto, sem essas complicações de medinhos e estresses. Até uma amizade pode surgir. Melhor: por que não uma amizade?

Até quarta que vem.

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5 Responses to “Chasing pavements.”

  1. Lais Says:

    Maria, o povo do CEMUNI II é super bacana,se não rolar uma amizade,seja pelo menos próximo a eles/as.!!Experiência própria,pego como ouvinte as “História da Arte” (ñ me arrisco no desenho,fico na teórica que aí ñ me compromete). Engraçado que na turma que pego essa matéria,tem uma nordestina..só ñ sei o nome dela,será a mesma??Figuraaaça…
    Bom,nos vemos por aí,enquanto vc ñ se forma!rs

  2. Tiago Medina Says:

    Se tu me permite uma sugestão (sei que não se deve aceitar conselhos de estranhos, mas…), acho que tenho um bom texto pra indicar sobre esses finais de faculdade – http://falandonissoluiz.wordpress.com/2008/12/29/sem-tempo/
    Passei por esse período não faz muito. E a gente fica bem confuso mesmo. No fim, se reconhece os amigos de verdade. Eles acabam ficando depois da formatura.

    Boa sorte

  3. Ana Says:

    meu deus, eu NUNCA ia conseguir ser oradora da turma. Primeiro pq odeio falar em público (sou tímida demais) e segundo pq ia chorar tanto q não ia dar pra entender nada. haha
    ainda bem que na minha vez,nem cogitaram meu nome.

  4. manoellamariano Says:

    Até quarta! =)

  5. […] procurar gente e quem sabe, matar saudades. Está sendo bem mais difícil do que eu já tinha dito aqui.Claro que também é uma questão de adaptação, de costume, de ambientação. Não que eu queira […]


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