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é só mais um: dia, minuto, texto.

Desenterro. Maio 12, 2009

Filed under: arte e mais,mulherzinha,what's inside — paulamaria @ 2:09 am
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nude_in_silence

Conversando aqui com Marina, resolvi desenterrar uns textos que eu escrevi uns tempos atrás. Já estão postados em outro blog que colaboro. Vou colocar esse daqui primeiro porque gosto muito dele. Não sei vocês e coisa e tal. Ah sim, é fictício. Eu estava numa época de tentar escrever ficção,  mas acho que não consigo direito, sei lá. Quem sabe não volto? :)

“Tinha suspirado. Sus-pi-ro. Recupera o fôlego. Dentro, é tudo luz desenfreada procurando saída. Sentiu-se trêmula. Fechou os olhos, mais uma vez. A manhã já anunciava quentura à janela. A cama estava à meia luz, o corpo configurava um território novo. Mostrava. Velava descobertas. O que podia fazer, o que queria fazer: suspiros. Comprimia as coxas contra si mesma. Fortemente contra o corpo, mas a favor dele. Invariavelmente, fechava os olhos. Sentia a luz, que teimava e ardia em sair, urgir. Ergueu-se. Sentou ao pé da cama, estava a decidir por permitir-se. Ou re-sonhar suas costuras ardidamente, e, sozinha. Sentia-se bonita, sentia querendo ser e fazer sentir e ser. Vestiu seu melhor vestido. Esperava elogios, seria a sua oportunidade, seu escape pra não deixar escapar. Vestidos levariam encontros com o ar, com o vento, com o calor. Encontros. […] Deixou o quarto, desceu até a cozinha. O café estava recém pronto, quentinho, cheiroso. Então. A visão. A melhor espelhada em sua íris desde que abrira as pestanas. O suspiro iminente tornou-se silêncio abismado. Pernas brancas tilintavam contra a saia quase tranparente. Um ultraje! Uma delícia ao ar. Lindas, mornas, cheias de constelações. Esvoaçante. Camiseta solta, fresca, deixando os seios à luz do descobrimento encoberto. Eriçados pelo vento. Água na boca, sensação entalada. Era preciso ter calma, era preciso ter paciência. Mais importante: era preciso a imprecisão. O movimento seria incalculado, inexato, impensado, perto do impossível. O possível dentro de roupas claras que dariam luz ao corpo proximamente próximo, colado, quase por dentro do outro. A impossiblidade deu-lhe a certeza. Uma certeza que não saberia descrever, mas aconteceria. Seria claro, um estalo. Explosão!” (19/maio/2008)

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5 Responses to “Desenterro.”

  1. Thais Machado Says:

    Era preciso ter calma, era preciso ter paciência. Mais importante: era preciso a imprecisão.

    É assim que deve ser.
    A imprecisão não digo sempre, embora de alguma forma as coisas sejam mesmo imprecisas num primeiro momento. É preciso calma e também coragem pra decifrar o desconhecido, porque corre o risco de se perder, de cair em abismos não se sabe quais. Vários obstáculos e obscuridades, embora às vezes alguns pontos de luz apareçam irradiando (ou distorcendo ou ofuscando) a visão do caminho.
    Beijos
    Thais

  2. pouaquim Says:

    eu gosto de suas ficções. mas, sorte que eu sou dono de suas realidades.
    te amo.

  3. tem um ano só… achei que era uma fase bem mais remota ^^

  4. marieyou Says:

    ai zenti. tu é muy hot mutchatchona! =)
    ADOREI
    ;)

  5. […] fazer, o que queria fazer: suspiros. Comprimia as coxas contra si mesma. … fique por dentro clique aqui. Fonte: […]


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