maisum.

é só mais um: dia, minuto, texto.

te escrevi uma carta. Agosto 14, 2019

Filed under: Uncategorized — paulamaria @ 11:38 pm
faz alguns dias que o verso de uma música se repete na minha cabeça: “i wanna touch a human being”. geralmente, quando escuto a música até cansar, o pensamento cessa. não foi o caso dessa vez. resolvi então investigar um pouco mais a fundo porque não consigo parar de pensar nela. de repente, outro verso aparece e fala mais um pouco de mim para mim: “something lonelier, something lonelier than death”. esses dois versos, de músicas distintas, fazem na minha cabeça um hit combo perfeito para exprimir – mesmo que em parte – o que tenho sentido e vivido nas últimas semanas. a intensidade que evitei por meses atravessou a barragem e eu não sei mais segurar. (explode coração). então é a hora de finalmente parar de tentar controlar e respeitar o meu ritmo. como eu te disse, depois daquela festa, eu entendi o que vi em você e entendi os efeitos do que vi em mim. ver você com suas dores tão expostas expôs o que eu tentava resolver/esconder de mim e dos outros. e, desde então, me reencontrar com você – e com isso – é duplamente difícil para mim. é bom e é horrível. é gostoso e é doloroso. é definido e é sem contorno. sinto potência em nosso encontro, em nossas conversas, no jeito que nos olhamos, no jeito que nos tocamos. e também sinto muito medo de tudo isso. quando fecho o portão de ferro, entro no carro e dirijo para casa, um outro ciclo começa sem que eu consiga ignorar. o pensamento toma conta da ação, ando em círculos e “tudo tem 3 lados”. a conta parece que não fecha. você some até o próximo alô e tudo recomeça sem recomeçar de fato. já disse, para mim e para você, que isso precisa ter um fim, mas a verdade é que preciso para coragem de sair dessa relação que nem sei se existe. terminar algo que não tem um começo (para mim tem). me paraliso perante todas as coisas que tento e não consigo controlar. estática, me vejo muito diferente do que sempre fui. o passado me condena com culpa de coisas que não posso mudar. o futuro me assombra com sua incerteza. e o presente? dele, sei que gosto de você e que eu vou embora. essa frase também me persegue faz alguns dias. agora aqui, junto de tantas outras, consigo montar um pedaço do quebra cabeça sentimental. um retrato. uma colagem. uma costura. entendi que preciso de disponibilidade, de cuidado, de não temer. como em outro verso, “you can’t possibly give what i want from you”. aí, dito isso, sigo tentando entender e encontrar meus outros pedaços. que outros versos me encontrem, que outros olhares façam sentido.
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perdendo dedos. Agosto 7, 2019

Filed under: Uncategorized — paulamaria @ 2:35 pm

perdi um pouco das letras nos últimos dias. já passei por isso antes, de tempos em tempos, sou acometida por uma burrice sentimental que me impede de exprimir em léxicos o que acontece aqui do lado de dentro. é um movimento esquisito, quase em forma de caracol, que me pede recolhimento e silêncio. traz uma cara que não reconheço e me afasta das pessoas por dias e noites. parte de mim quer muito conseguir voltar, mas a outra só quer ir embora correndo com a maior velocidade possível. se eu tento explicar, me embolo e pareço inventando uma mentira cabeluda, então eu só desisto e respiro de forma curta e acelerada, querendo que tudo isso passe logo – quero dormir por mil anos.

perder as letras é como perder partes de mim. como se uma perna ficasse meio torta, como se o braço se imobilizasse temporariamante. como se de repente eu tivesse uma deficiência de algo que jamais imaginei, como se eu acordasse de um coma e não soubesse do acidente. não conseguir escrever é como não conseguir andar. e se não posso andar, desejo o fim do mundo – pelo menos para mim. catástrofe, cataclisma, apocalipse. perder as letras é perder o controle de mim mesma. e é claro que prefiro morrer a perder o controle.

quando retomo as palavras, aos poucos absorvo a realidade, desembaçando os olhos e catando meus cacos no chão. alguns pedaços eu tenho mais do que certeza que perdi, mas não consigo saber ao certo o que ficou para trás. a vontade de dormir por mil anos assombra o outro lado que quer viver a mil por hora e eu não entendo como posso ser tão dual em apenas uma vida, um corpo, uma chance. retomar as palavras, como agora, nesse texto, é construir um pedaço de possível novamente, é colocar o pé na areia depois do caldo, é abrir o olho depois da tempestade. assustada, eu olho para você e não sei se vejo alento ou uma mentira. desejo, de dentro para fora, que seja apenas um lugar pra repousar, uma pedra no caminho, uma tábua na correnteza. as palavras não me ajudam nessa hora porque quero perguntar o que não consigo entender e talvez nem deveria tentar. é de novo sentir perder o controle. e eu prefiro morrer a perdê-lo novamente.

 

 

isso não é um diário, 10/06 Agosto 1, 2019

Filed under: Uncategorized — paulamaria @ 2:59 pm

um carinho se aproxima e logo recua. o coração aperta e também recua. esquisitices no pensamento. certeza de que ainda não estou pronta. devaneios sobre alguém que não conheço. estremeci minhas pernas junto à sua boca e agora tudo que tenho são imagens borradas e palavras que não sei se ouvi. toda viagem me parece uma primeira vez e eu sempre estou tão animada… isso tudo parece ser a pior opção que eu poderia apostar, mas também é tentadora a minha curiosidade – meus olhos não fogem de te observar no escuro das sextas feiras. são cores novas, calafrios, inadequações. fujo para dentro de mim e me escorro um pouco, derretendo minhas vontades escondidas para ninguém ver. dizem que é “sempre assim”, mas quero me sentir especial: meu erro, minha culpa, minha sina. olho para o mar e pronto, navios no horizonte. tudo parece então uma grande coincidência mas é só um tanto de acaso que eu posso ler como NADA. tem sido confuso acessar o que eu quero dizer para mim mesma. ruídos. interferências. névoa. miopia. medo. não falar. não dizer e até mesmo fingir. quem sou eu se eu não me mostro? foi carinho que se aproximou? fui eu que escolhi te ler assim ou foi mesmo o que recebi? aperto mais uma vez, mais um pouco. eu não sei. eu ainda não consigo saber. melhor só deixar ser.

 

If all that we’re whishing for is poison… Outubro 8, 2018

Filed under: Uncategorized — paulamaria @ 12:57 am

Quis te escrever uns versos, te mandar umas fotos, comprar uma passagem. Quis te ver e te enlaçar com minhas pernas. Naquela praia, naquela areia. Quis te sufocar, perder as contas e perder as horas. Quis tudo isso, até ainda mais, sem poder querer. Não entendo essa parte de mim que teima em arder pelo que não posso. Tenho febre, tenho fome, tenho pavor.

Se eu tentasse explicar – para você ou para outro alguém – nunca pareceria fazer sentido. What I am to you, it’s not real, diz Damien. Eu mesma não sei o que te dizer e ao mesmo tempo… espero poder dizer tudo. Das pequenas mortes, das viagens, da falta de sentido. Entregar minhas dúvidas pro desconhecido, tirar umas cartas de tarô, acender incenso à meia luz e fingir que ainda tenho meus vinte anos. O que me distancia de lá?

Como um vulcão, escorro minha lava em palavras e secreções. Hoje, só posso sonhar com teu sonho… E rir de mim mesma, eterna prisioneira da passagem.

 

Setembro Setembro 12, 2018

Filed under: Uncategorized — paulamaria @ 6:08 pm

O mês nove sempre será seu. Talvez seria melhor dizer nosso, mas não posso arriscar tanto assim uma memória. Naquele tempo, era tempo de flores, de novidades, de meias palavras e muito silêncios. Era o mês que me cabia sonhar sobre tempos que nunca chegariam – e incrivelmente estava tudo bem mesmo assim. Seus olhos tem a cor daquela música… Yeah the spotlight shines upon you. Quantas vezes eu olhei para eles e pousei expectativas frustradas com muita doçura e vontade de dar certo! Lembrar dos incontáveis beijos que deixamos de dar e que parecem até ter acontecido… Sonhar de alturas, como diria minha preferida.

Setembro traz a primavera que não vivemos juntos, mas que mesmo assim fizeram nascer e morrer flores em nossa homenagem, cheias de cor, graça e perfume. A cumplicidade de um sentimento secretíssimo, que eu sei, ah se sei… Era amor de verdade. Dediquei música, texto, foto, filme, noites… Todas a esse amor que jamais veio a calhar. Dediquei muito àquilo que mal sabíamos em nossa besta juventude e tudo morreu muito antes de podermos perceber. De podermos deitar e descansar.

Era tão doce a impossibilidade que se colocou por anos a fio. Podia sentir seus abraços mesmo quando eles estavam a um oceano de distância, porque eles moravam em mim, afinal. Hoje, por não mais lhe saber, o doce setembro desce com amargor estranho, que toca o fundo da língua e faz engolir seco algumas memórias. A juventude passou em parte e esse amor que jamais veio, pulsa em algum lugar de meu peito, em algum lugar bonito que você me fazia ver, lembra?

Foi tempo de ser imatura, de ser livre, de rir, de mergulhar e de permitir desaventuras. Era tempo quando eu já sabia um tanto de mim porque você me permitia navegar. Era tempo de flores, ora pois. Ave, Setembro!

 

 

P/ Paula – ouça no volume máximo – De: Carolzinha Julho 23, 2018

Filed under: Uncategorized — paulamaria @ 1:43 pm

Poua,

“Ser jovem é embrulhar as fossas no celofane do não faz mal. É crer que não vale a pena, mas ai da vida se não fosse assim.

Ser jovem é misturar tudo isso com a idade que se tenha, trinta, quarenta, cinquenta, sessenta, setenta ou dezenove. É sempre abrir as portas com emoção. É abraçar esquinas, mundos, luzes, flores, discos, cachorros e a menininha, com profundo, aberto e incomensurável abraço de festa, dentes brancos e tímidos, todos prontos para os desencontros da vida. Com uma profunda e permanente vontade de ser”.

Hoje, é o dia mais importante da sua vida. Aproveite-o intensamente e ocupe-se totalmente dele.

Seja feliz eternamente e conte sempre comigo!

Carolina Nery

-> Faltam 2 horas e um minuto para o niver de nossa amiga maluca Lore.

(algum lugar do passado, entre 2002 e 2003, eu recebia uma das melhores cartas da minha vida, de uma das melhores pessoas da minha vida).

 

it’s been a long time, ma friend. Julho 19, 2018

Filed under: Uncategorized — paulamaria @ 1:50 am

Como pode fazer tanto tempo que não escrevo aqui? Será realmente a morte dos tempos de blog? Será que eu deixei meu apetite pela escrita morrer em mim? Assustador.

Nem sei por onde começar. Muitas ideias para escrever me vem à mente, mas acabo por deixá-las dispersar, junto com mais um tanto de coisas que passam pela cabeça no intervalo de um dia, intercalada por uma noite, seguida de outro dia.

Nos últimos tempos tenho sofrido de insônia das bravas. Fazia já um certo tempo que ela não aparecia e parece que veio para passar umas férias. Sinto muito cansaço e vontade de desistir de tudo, absolutamente. Quando estou de tpm, essa vontade é agravada e chego a me preocupar. O que me salva – de mim mesma – é respirar até conseguir voltar para o presente. Ser abduzida da própria vida é um troço muito estranho.

A vida tem tomado caminhos que eu definitivamente não poderia prever. Se me dissessem em janeiro/2018 que eu ia estar sentindo, vivendo, pensando o que estou AGORA, eu soltaria uma longa e sonora gargalhada. Em janeiro/2018, eu estava atingindo um momento de plenitude de existência que não reconhecia há anos. Em fevereiro/2018, tudo aquilo se perdeu.

Esse texto é basicamente um lembrete-confissão de que eu preciso e quero ser cuidada. Não tenho conseguido dizer isso às pessoas sem que eu pareça uma criança mimada que se joga no chão e berra chorando, mas é o que tem para hoje (continuum eterno desde fevereiro). Preciso e preciso mesmo. Vivo meus dias querendo fugir deles, vivo meus dias a fugir de mim mesma e de tudo aquilo que estava conseguindo priorizar. Somebody save me?