maisum.

é só mais um: dia, minuto, texto.

sonhos e vertigem. Janeiro 22, 2020

Filed under: Uncategorized — paulamaria @ 12:56 am

tenho tido sonhos vívidos. às vezes também me acomete uma paralisia do sono. não acordo com medo de nada, mas fico cansada me arrastando pelo dia, de tanto ter trabalhado a noite. revisito alguns textos do ano que passou e percebo uma paula que falava de sonhos que nunca aconteceram, nem mesmo em seu imaginário noturno. uma paula que chorava por sonhos não sonhados por ela mesma. quanta dor. quanto choro. digo, não fica mágoa nem ressentimento, mas ainda dói – não choro mais (anestesias alopáticas, obrigada). não chorar me faz ficar em estado de dormência, difícil me tocar, difícil se aproximar de mim. uma carência de romance acena ao longe, tímida… não se atreve chegar mais perto. enquanto isso, meus pensamentos correm pelo passado sem nenhum controle, ainda que eu não queira mais saber dessas histórias, dessas pessoas e desses sentimentos. percebo que não tenho autonomia sobre eles e me frustro comigo mesma, mais uma vez. a sensação é de submissão. e então, me apavoro. há dois dias não quero ver ninguém, quero ficar comigo mesma, na minha casa, com minhas coisas, meu cheiro, meu canto, meu silêncio. assisto a vida alheia pelo celular e não desejo que alguém me procure porque sei – SEI! – que é tudo plástico e falso. que é vaidade e ilusão. eu choraria se não estivesse sob efeito, mas eu não choro mais então nem isso há de se fazer. me faltam palavras. inspiração. vontade. estou sangrando pelo segundo dia e tentando entender o que deixar ir pelo ralo junto com meu pedaço de corpo que se preparou para uma vida que nunca iria existir – um bebê. me pego num paradoxo: quero parar e quero fugir, correr até as pernas cansarem mas também quero me enterrar nessa cama cujo colchão eu escolhi so-zi-nha. coloquei um espelho em frente à cama, me olhei, me fotografei. é uma maneira de me guardar, me fazer tesouro. já quis ser descoberta e hoje só quero concha. e a vertigem? você me pergunta. pois, ela vem quando sinto as paredes do décimo andar tremerem com o vento ou com os carros que cortam as avenidas de frente ou de trás. ela vem quando recebo uma mensagem de quem eu sei que nada quer me dizer além de não esqueça de mim. ela vem quando eu lembro da traição escrota que fui submetida e ainda não engoli. ela vem quando eu percebo que meus sonhos não tem nada a dizer do que eu já não saiba. tenho que lembrar da mulher que me olha através do espelho e me diz que eu morri mas estou viva. porque ela me diz ainda várias coisas que eu não sei porque não consigo ouvir… porque eu ainda não entendo. talvez preciso conseguir sonhar outros sonhos, olhar nos olhos da mulher no espelho e guardar os mistérios do lado de dentro, só para mim.

 

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jurei que voaria. mas fiquei. Dezembro 26, 2019

Filed under: Uncategorized — paulamaria @ 2:44 pm

o gosto do fim que se aproxima. é como reviver uma morte a cada ano, sabendo que se nasce no dia seguinte. entre noites, revejo minha vida num longo álbum de memórias, com fotos que queimei, outras que perdi e ainda as que esqueci de registrar. me ocupo de arrumar o lado de fora e também o de dentro, buscando um tipo de paz que não se explica com palavras. sinto, mais do que nunca, uma grande coragem em seguir adiante, mesmo que alguns olhos me vejam como covarde. a sina se repete quando me penso ingênua mais uma vez. ainda assim é melhor do que me perceber esperta demais. o gosto do fim é doce e também amargo, deixa minha língua dormente e meus lábios, secos. sinto sede por este fim… e também me sinto satisfeita. acolho mais esta morte porque percebo que vivi por inteiro, vivi por mim e por tudo que acredito. fui eu mesma, ainda que me dissessem o contrário. seguir insistindo em SER é solitário e vital. aprumo a coluna, prendo meus cabelos, jogo meu corpo no espaço. o gosto do fim me diz que tudo é possível e que eu vou sobreviver de novo. vou me repetir, vou criar, vou crescer. me sinto plena quando aceito minhas mortes… fecho os olhos e me entrego. até o próximo despertar.

 

laboriosa. Outubro 8, 2019

Filed under: Uncategorized — paulamaria @ 4:44 pm

escrever. como se isso pudesse enfim me salvar do que tanto acredito escapar. escrever. já faz tanto tempo que me arrasto pelo corredor que perdi a referência de hora/minuto/dia ou noite. como se fosse infinita a vida que me habita. como se fosse calma e contida a emoção de me perceber viva. se eu soubesse ao menos tirar daqui de dentro a carne que me compõe mas que também já apodreceu… como se eu pudesse amputar o sentimento de não pertença e a vontade infinita de ser amada. escrever. ser incongruente na fala e nas palavras que registro aqui, ali, em todo lugar. como se ao registrar num léxico eu alcançasse a minha liberdade de ser. como se ao rabiscar essas palavras/letras/espaços eu me permitisse a coragem de ler louca sem controle nem amarras. escrever. um modo de registrar estes pensamentos-flexas que me atravessam, me machucam e também me suportam. se eu contasse a vocês o que REALMENTE se passa do lado de dentro, talvez eu não precisasse fugir porque vocês já teriam corrido primeiro. como se ao me afastar de tudo e todos eu parasse de tentar ser aquilo que não suporto e, então, poderia vagar por todos os espaços sem me sentir perdida, apenas sem direção. escrever. como um modo antigo, tosco e quase inocente de sobrevivência. ser frágil em toda intensidade que o papel e caneta permitem. escrever. aqui tenho-me inteira. e ninguém precisa levar se não quiser tudo.

 

take me by the river. Outubro 3, 2019

Filed under: Uncategorized — paulamaria @ 1:46 am

desejo me declarar derradeira. um trava línguas para destravar coração, este comboio de corda amarrado no passo acelerado de meus pensamentos. rodopio tentando encontrar um ponto de apoio no horizonte, mas bambeio quando tento parar. minhas pernas são firmes mas também trêmulas. hesito, suporto, analiso, não compreendo. meus dedos anseiam por palavras repetidas e por outras que eu nem mesmo conheço. desejo me declarar; para que? será que é ainda preciso, além destes olhos tão exatos tão oblíquos e nada dissimulados? derradeira pois me adivinho plantando segredos à distância, que é apenas onde te tenho. desejo: desde o começo, a sorte que me guia e que me deixa perdida no caminho. o coração comboio carrega tanto passado e que tenta, exaustivamente, te contar do que foi, do que é e do que acha que será. o passo acelerado que se atropela; quando cai, se enxerga com vergonha. hesita, não suporta, analisa e nunca compreende. os dedos passeiam pelo ar como se pudessem te tocar como eles pensam – e choram. as pernas, que, quando podem, correm para uma mesma direção: o chamado. derradeira, me olho por cima de mim: me julgo, me saboto, me escondo, me perco. travar a língua porque ela não quer gritar o teu nome. rodopiar, mais uma vez, buscando outro horizonte. confiar, sustentar, digerir: continuar.

 

coisas de menos ou: do que preciso. Setembro 11, 2019

Filed under: Uncategorized — paulamaria @ 3:12 pm

dualismos. meu coração se divide em mil pedaços porque não sabe dosar horas ou momentos. sinto que está tudo sob controle quando estou enlaçada em seus braços, mas também há o calafrio do controle do que não consigo. te olho de perto enxergando partes de mim totalmente desconhecidas, quase num encontro do rio com o mar. sua doçura quebra minhas pernas que bambeiam mas também conseguem ir além. me confundo com minhas certezas, me questiono sobre o que parecia seguro, sobre o que conheci até aqui. errei, confesso. aqui não é de dualismos que me alimento. sou plural e não me dava conta disso. são multidões que me atravessam quando abraço teu corpo menor do que o meu. perco o prumo, me faço besta, entrego a régua, desisto do dicionário. se podemos nos permitir o recomeço, de que serão feitos os nossos dias? sigo intrigada com o sabor do pouco que tenho. e sigo incrivelmente satisfeita, ainda que com gosto e fome por mais uma vez – me repito, me componho, me permito. o coração dividido traz outra paulamaria: curiosa, inquieta, corajosa, inteira. te olhar e me esconder um pouco no seu peito. deixar o vento encher meus pulmões de uma só vez. ficar sem ar também. com as pernas quebradas, posso descansar um pouco e parar de correr e fugir. acho que cansei de tentar ser porque eu já era, afinal. estranha, esquisita, inteira. em mil pedaços, posso ser intensa novamente. hoje não quero o que é seguro, fixo, imutável. por agora, quero ser plural nesse sofá com sotaque e cheiro de mar.

 

já não interessa. Agosto 25, 2019

Filed under: Uncategorized — paulamaria @ 3:14 pm

eu disse que tinha perdido as palavras. talvez eu tivesse me perdido delas, tipo criança que se perde da mãe nas lojas americanas e acaba segurando na calça jeans de outra mulher e acaba com os olhos estatelados quando se dá conta. foi mais ou menos assim que aconteceu, mas aparentemente já não interessa. são tantas perguntas que faço a mim mesma que quando vou falar com alguém, já pareço ter todas as respostas. não é legal, não é interessante, mas também não pareço ter outra opção. aí faz sentido eu achar que me perdi das palavras, porque elas sempre estiveram ali – igual a mãe nas americanas – eu apenas não conseguia enxergá-las em meio aos bombons, balas e biscoitos.

dar palavras aos sentimentos nem sempre é uma tarefa fácil ou gostosa. neste momento, por exemplo, faço um esforço como sair de casa para academia. nenhuma vontade genuína, porém faço pela necessidade. demorou um tempo para entender que escrever era necessidade, era exercício, é para vida. ainda que eu não consiga sempre chegar até o final, ainda que muitas vezes doa (durante e depois), ainda que eu queira sair correndo das palavras. eu não tenho escolha. é o que eu preciso fazer. então… que eu não me negue este cuidado e este exercício.

faz dias que minha cabeça rodopia e quer vomitar muitas muitas muitas frases, colocar nome em sensações e situações, perguntar até exaurir, tirar dúvidas, ter respostas. de que adianta? eu não sei. mas é preciso.

 

te escrevi uma carta. Agosto 14, 2019

Filed under: Uncategorized — paulamaria @ 11:38 pm
faz alguns dias que o verso de uma música se repete na minha cabeça: “i wanna touch a human being”. geralmente, quando escuto a música até cansar, o pensamento cessa. não foi o caso dessa vez. resolvi então investigar um pouco mais a fundo porque não consigo parar de pensar nela. de repente, outro verso aparece e fala mais um pouco de mim para mim: “something lonelier, something lonelier than death”. esses dois versos, de músicas distintas, fazem na minha cabeça um hit combo perfeito para exprimir – mesmo que em parte – o que tenho sentido e vivido nas últimas semanas. a intensidade que evitei por meses atravessou a barragem e eu não sei mais segurar. (explode coração). então é a hora de finalmente parar de tentar controlar e respeitar o meu ritmo. como eu te disse, depois daquela festa, eu entendi o que vi em você e entendi os efeitos do que vi em mim. ver você com suas dores tão expostas expôs o que eu tentava resolver/esconder de mim e dos outros. e, desde então, me reencontrar com você – e com isso – é duplamente difícil para mim. é bom e é horrível. é gostoso e é doloroso. é definido e é sem contorno. sinto potência em nosso encontro, em nossas conversas, no jeito que nos olhamos, no jeito que nos tocamos. e também sinto muito medo de tudo isso. quando fecho o portão de ferro, entro no carro e dirijo para casa, um outro ciclo começa sem que eu consiga ignorar. o pensamento toma conta da ação, ando em círculos e “tudo tem 3 lados”. a conta parece que não fecha. você some até o próximo alô e tudo recomeça sem recomeçar de fato. já disse, para mim e para você, que isso precisa ter um fim, mas a verdade é que preciso para coragem de sair dessa relação que nem sei se existe. terminar algo que não tem um começo (para mim tem). me paraliso perante todas as coisas que tento e não consigo controlar. estática, me vejo muito diferente do que sempre fui. o passado me condena com culpa de coisas que não posso mudar. o futuro me assombra com sua incerteza. e o presente? dele, sei que gosto de você e que eu vou embora. essa frase também me persegue faz alguns dias. agora aqui, junto de tantas outras, consigo montar um pedaço do quebra cabeça sentimental. um retrato. uma colagem. uma costura. entendi que preciso de disponibilidade, de cuidado, de não temer. como em outro verso, “you can’t possibly give what i want from you”. aí, dito isso, sigo tentando entender e encontrar meus outros pedaços. que outros versos me encontrem, que outros olhares façam sentido.