E esquecer como é que era. A gente já foi tão unha e carne, tão coração e tripa, tão tudo ou nada. Do tipo andar na praia, falar mil horas no telefone, sussurrar no msn, tomar sorvete, ir no cinema, matar aula, escrever carta, mandar bilhete, beijo no ar, choro na chuva, abraço quente. Mas aí do nada tudo foi se perdendo e eu não sei mais se quem largou de mão foi você ou se meu sentimento com o mundo te fez me ver com olhos que não era mais de amor. Já matutei muito sobre nós, o que restou foram nós de tristeza e saudades. Fingir que não vejo, te tiro dali e aqui, fui apagando aos poucos as pegadas de giz, dos tempos das calçadas e dos porres sem álcool. Era engraçado e estranho toda aquela afinidade. Eu me fazia bem feliz e eu dormia com sorriso de quem sabe a quem pertence uma amizade. Outra coisa: o que foi que aconteceu com as promessas? Sei que beijos não são contratos, mas a gente nunca se importou com isso. Era bem do pra sempre que vivíamos. Em algum lugar dessa linha, o verso desandou. E aí a música se fez descompasso. Quando me veem, já me veem sem um pedaço de mim. Perdi vários. Seus e de outréns. Nunca pude dizer pra você parar que eu queria consertar, se é que teve conserto algum dia. Tentei te gritar, mas você não olhou pra trás. Uma história estranha constrói perante meus olhos. É tão perto mas parece milhas daqui. Se eu reler, vou morrer mais um pouco. Deixo aqui então pra você ler um dia. Quem sabe. O que é ter e perder alguém.
Desencanto pra depois reencantar. Dezembro 27, 2009
Algumas coisas doem um pouco, outras doem de montão. Apesar de que não devo e não posso me cobrar tanto, em muitos momentos eu me pego caindo nas armadilhas de quem faz com propósitos de tirar a minha paz. Não é tão óbvio, mas eu gosto do caos, já disse algumas vezes. Quando digo “tirar” minha paz, falo um pouco de me fazer mal, de me deixar paranóica, de me tirar potência e diminuir meu sorriso. Não entendo muito esse propósito, mas devo também admitir que pelo tempo que isso acontece, eu realmente deveria lidar melhor com essa situação. Maravilhada e deslumbrada com o mundo que a internet é, eu sigo futucando as novidades e experimentando novas redes de contato. Dizem que as redes sociais são de contato superficial. Isso eu até acredito, mas quando levo em consideração o quanto que certas situações me afetam, repenso com carinho antes de dizer isso de mim. Questões extremamente profundas e confusas se abrem no meu coração, e eu juro: tenho tentado muito mudar, encarar de frente essas mágoas, ter cuidado com minhas respostas, não me prender a picuínhas que não valem a pena. Assustada, muitas vezes me recluso em um canto, silencio, perco um pouco de viço de vida. Essa não sou eu, esse não é o jeito que gosto de agir. Coação é muito esquisito. Quase prisão. Ainda não sei qual é a forma de dizer que acredito nas pessoas e defendo muitos ideais & não ser desacreditada nisso só porque muita gente “don’t mean what they say”. É ruim estar cercada de estradas coberta de ovos, não sei onde posso pisar e se não tem alguém escondido na beira da estrada pra me jogar os ovos. É muito ruim ser sincera e levar umas porradas na cabeça de gente que você não sabe quem é, e ao mesmo tempo, sabe que provavelmente você confia muito nela. Mas também não adianta. Não dá pra medir esse tipo de coisa, muito menos esperar. Com o passar dos anos, as histórias vão se remoldando, as vidas vão se refazendo, e com isso, muita coisa a gente joga fora. E pra isso, nem sempre escolhemos. Alguns momentos nos forçam a “just do it”. Uma das metas de 2010 é essa. Jogar fora esse sentimento de profunda mágoa. Não me abalar por coisas que querem derrubar o que de legal eu construo pra mim e pr’aqueles que eu me importo. Prometo pra você, pessoa que eu gosto, admiro, respeito, incluo na minha vida, que minha dedicação, amor e amizade serão sempre sinceras. E prometo pra você, que não chega perto pra sentir calorzinho de amor, que se você tentar, não vai se arrepender. Tenho casca, mas não é grossa. Melhor tentar, não? Quem não arrisca, nunca petisca. Clichê válido. Como diria W.A.: WHATEVER WORKS!



